quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ainda mais além

Depois de escrever o último post desse blog, eis que me deparo com notícias que dão mais razão ao escrevi. Bolinha de papel ou rolo de fita crepe na cabeça do Serra, uma bexiga cheia de água que quase atinge a Dilma, declarações de tucanos e petistas pra lá e pra cá, acusação de simulação e mais ataques – de ambos os lados - de pouco valor construtivo na campanha eleitoral.
Mais o ponto crucial não é esse, e sim a troca de agressões por militantes do PT e PSDB. Independente dos motivos que iniciaram a confusão, o que aconteceu é inadmissível. O processo eleitoral que acontece no Brasil me envergonha cada vez mais; os presidenciáveis dão maus exemplos com a falta de propostas e com a enxurrada de ataques ao adversário, e os militantes cada vez mais se convencem que a eleição é uma guerra. Em que tipo de democracia tenta se impedir passeata do adversário?
O problema não é Dilma ou Serra; bolinha de papel, rolo de fita ou bexiga cheia de água. O problema é que parte do eleitorado não sabe o que é democracia, não entende o que é respeito, e não quer ver um debate (de verdade, com ideias e propostas) que valorize o processo eleitoral.
Eleger este ou aquele candidato não é sinal de retrocesso; a mente dos eleitores que é retrógrada.

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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Muito além do horário político

Na campanha eleitoral para a presidência do país - especialmente nesse segundo turno - sobram ataques e faltam propostas. Dilma e Serra se esforçam ao máximo para mostrar que o seu adversário é pior, mas nunca para tentar mostrar que são o melhor para o Brasil (talvez porque nenhum dos dois seja); surgem denúncias de corrupção de todos os lados da campanha, enquanto os tucanos falam de Erenice Guerra, José Dirceu e até Collor, os petistas atacam falando de Paulo Preto – caso que promete dar o que falar. Mas a falta de propostas e ideias não se restringe apenas aos políticos e seus marketeiros, ao contrário, estende-se até os eleitores.
Acredito que essa eleição será marcada pela utilização da internet, principalmente de maneira informal, com e-mails, postagens em blogs, e principalmente os vídeos que bombaram no Youtube (em sua maioria, sempre usados para destruir a imagem de algum candidato). Acompanhando os comentários em blogs e vídeos no Youtube, e o que tem rolado no Twitter sobre essa eleição, o que vejo é de um nível tão baixo que acredito que não pode ser chamado nem de discussão. As pessoas se recusam a debater o que é melhor para o Brasil e passam a chamar de ignorantes e burros os que pensam diferente delas, poucos são os que querem ouvir uma opinião diferente para evoluir a forma de pensar, a maioria parece vendada (venda que pode variar entre a cor azul e vermelha) e aceita tudo que seu candidato diz. E dá-lhe ataque, xingamento e baixaria!
Cansado de ver tantas denúncias de corrupção nos jornais e tanta ignorância dos eleitores, quando ouço alguém falar que o Brasil é um país livre de preconceito, tenho medo e interpreto de forma negativa. Talvez o brasileiro tente tirar vantagem de todos, independente da cor ou da religião; talvez o brasileiro ataque e passe por cima de qualquer um para alcançar seus objetivos, independente da classe social ou do sexo.

Tomara que eu esteja errado.




Leia também o primeiro texto que escrevi pra esse blog aqui.

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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Beleza

Ela dançava no meio da pista. Com seu vestido curto de cor preta, cabelo solto, toda maquiada e de salto alto... Ela dançava de salto alto e passava a mão no próprio cabelo, que era tão escuro quanto o vestido e tão longo quanto o vestido não era. Seus olhos também eram negros, aliás, tudo nela fazia contraste à pela branca. Volta e meia fechava os olhos, parecia não se importar com ninguém que estava à sua volta, só parecia. O movimento dava mais beleza a seu corpo cheio de curvas que o vestido decotado e o shortinho justo que usava por debaixo deixavam a mostra. Corpo e atitude de mulher e um rosto de menina, era impossível não ver beleza naquela mulher.


Ela estava sentada no sofá em frente à TV. Não se viam curvas, pois ela usava um moletom vermelho desbotado que pegou do seu irmão, uma calça velha preta e as meias por cima da calça. O cabelo longo estava preso de qualquer jeito, o rosto todo branco com algum desses produtos que fazem bem pra pele. Ela estava estática assistindo a “Dança dos famosos”, parecia não se importar com ninguém que estava à sua volta e não se importava. Dessa vez era mais difícil ver a beleza daquela mulher.

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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Sobre o tempo

Sabe gata, a vida é estranha. Tempo pra mim é algo inversamente proporcional ao dinheiro. Deve ter gente que tem grana e tempo de sobra, mas esses devem ser a minoria. Eu, pelo menos, não conheço ninguém assim. Se eu trabalho, tenho dinheiro, mas não tenho tempo pra fazer o que eu quero, se eu não trabalho, sobra tempo, mas daí não tenho dinheiro pro cineminha, pro churrasco, isso sem falar nas contas. O tempo é louco. Sabe, eu acho que as pessoas que trabalham e estudam merecem muito respeito, eu to falando de trabalho, não de estágio, nada contra quem faz estágio, mas o que eu quero dizer é que passar o dia inteiro ralando e estudar a noite é algo admirável, ou estudar de manhã e trabalhar à tarde e à noite, você entendeu, né? O tempo complica até os relacionamentos, tem amigo meu que namora e quase nunca tem tempo pra sair com a galera, mas eu não os culpo, afinal são meus amigos e é mais fácil eu entender que eles estão com as namoradas do que as namoradas entenderem que eles estão com os amigos. Namoro faz parte da vida, pelo menos pra quem quer casar. Sabe gata, já deixei de ver meus amigos por causa de mulher também, mas achei que foi besteira, elas se foram, os amigos continuam aqui, eu tenho medo de me envolver com alguém e deixar meus amigos para trás, ou de me apaixonar por uma mulher que não se dê bem com meus amigos. Sabe, já deixei um monte de gente pra trás e um monte de gente me deixou também, de alguns eu nem sinto falta, mas às vezes eu passo as madrugadas imaginando onde estão aquelas pessoas que dividiram várias risadas comigo. Aliás, passava, agora eu não tenho muito tempo pra isso. As madrugadas de insônia se foram e deram lugar as noites de sono depois de um dia de trabalho exaustivo. Às vezes me pergunto se a vida é isso: passar o dia se estressando para poder pagar as contas no fim do mês e ter uma noite de sono tranquila. Sabe, as noites sem dormir não eram ruins, me faziam pensar, odiar, me deprimir, mas também faziam eu me sentir vivo e não uma máquina que trabalha, paga as contas e dorme bem, dormir bem pra que? Se eu pudesse eu não dormia e aumentava meu tempo, mas eu me sentiria cansado e daí não ía aproveitar nada direito, mas eu já não aproveito, chega final de semana e meus amigos me chamam para sair, e se eu saio com um grupo de amigos “a”, um grupo de amigos “b” reclama que eu não saí com eles, e se eu saio com esses amigos “b”, os amigos “c” perguntam por que eu to sumido. Faz tempo que eu não dou aquela dormida esperta de tarde, ou assisto a um filme debaixo das cobertas, faz tempo que eu não passo o dia no sofá mudando de canal a cada cinco minutos, faz tempo que eu não toco violão, que eu não escrevo pro meu blog, apesar que ninguém lê aquilo. Aliás, o tempo sempre me atrapalhou na hora de escrever, enquanto meu pensamento voa na velocidade da luz, minhas mãos não acompanham e a linha de raciocínio se perde...





...Não posso esquecer de comprar sua ração amanhã.






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sábado, 15 de maio de 2010

Não lembra de mim?

Eu estou num barzinho, num pub, enfim, chame como quiser. O lugar está movimentado, não tem uma mesa livre. Várias pessoas de pé conversando, flertando, ficando, sorrindo, alguns até arriscam dançar. Saí do banheiro pretendendo voltar para mesa com meus amigos, mas uma mulher parou na minha frente, me cumprimentou e até arriscou um abraço. Quem é essa? Estou com a leve impressão que ela me confundiu com alguém... Fiquei parado, ela me olhou com uma mistura de irritação e decepção.

- Não lembra de mim?

Sabe que olhando bem, tive a impressão que conheço essa mulher. Conheço sim, certeza, só não me lembro da onde. Cacete... Como é que não me lembro? Deve ser Amanda o nome dela... Amanda? Ah, ela tem cara de Amanda.

- Você não é a Amanda?

Putz, mais cara de decepção.

- Achei que você iria lembrar...

Foi mal...

- Não se lembra do casamento do Henrique?

Por que essa cara triste?
Perguntei:

- Henrique Costa?
- Não... Gomes...

Ah, por que não falou Cabeça de uma vez?! Faz tempo que não vejo aquele veado...

- Em dois mil e sete...

Puta que pariu... É ela... Como que eu me esqueci? Foi na festa de casamento do Cabeça, brother meu dos tempos de faculdade. Tirei ela pra dançar, eu já tinha bebido algumas e ela também, resolvemos ir para um cantinho mais calmo, ficamos, trocamos carícias, bebemos mais, saímos da festa, a chamei pra dar uma volta, ela aceitou, entramos no meu carro, perguntei se ela queria ir pra um lugar mais reservado, ela disse que sim, levei ela pro meu apê, ela não se assustou nem ofereceu resistência, rimos enquanto subíamos no elevador, dentro do apartamento ofereci bebidas, ela disse que não, nos beijamos, ela estava se entregando pra mim, tirou a sandália, eu tirei seu vestido, ela tirou o sutiã, a encurralei no sofá, toquei seus seios, chupei, lambi, mordi, de repente ela começou a resistir, eu insisti, ela tentou escapar, eu não deixei, ela tentou me empurrar, eu continuei insistindo, ela me empurrou, não entendi, ela se vestiu falando que aquilo não era certo, que ela não podia, me deixou confuso, ela não respondia minhas perguntas, parecia que não me ouvia, ela abriu a porta e desceu as escadas, eu fui atrás, falou pro porteiro chamar um táxi, perguntei aonde ela iria, ela não me ouvia, não me via, não me sentia como havia me sentindo alguns minutos atrás, o porteiro não entendia nada, ela viu um táxi na frente do prédio, correu pra dentro dele, eu fui atrás, o táxi arrancou, eu fiquei completamente confuso, enquanto isso um casal perguntava ao porteiro onde estava o táxi que estava esperando por eles, me olharam com cara feia, subi pro meu apartamento.
Depois descobri que ela era prima da Lígia – mulher do Cabeça –, pedi o telefone dela, não me deram. O casal falou que ela morava do outro lado do país, que ela tinha acabado de se mudar e não tinha telefone ainda, falaram que eles não tinham o telefone dela, se contradiziam falando do assunto, tudo tinha cara de mentira, aliás, não gostaram de falar disso, fugiram pela tangente, falaram de outra coisa, evitaram. Eu fiquei puto, mas esqueci, não valia a pena, estávamos bêbados, ela não quis, não adiantava insistir.

- Lembrou?

Devo ter feito cara de quem lembrou, né?

- Lembrei, desculpa esse apagão, é que...
- Tudo bem... Como você tá?
- Bem e você?

Eu não queria ter feito essa pergunta, mas fiz.

- Também... Sabe, desde...

Ela começou a falar.
Ela está diferente, não é à toa que não a reconheci, seu cabelo está bem mais escuro. Está bem mais séria. Não despreocupada como daquela vez.
Sabe, pra mim é fácil fingir que estou prestando atenção no que as pessoas falam. Eu balanço a cabeça e vou resmungando: “aham” “ah é?” “sério?”, de vez em quando sai até um “poxa vida”, depende da expressão da pessoa.
Não estou contente de estar “conversando” com ela, ela era mais legal bêbada, ou eu achava ela mais legal quando estava bêbado, deveria beber mais? É estranho, estou aqui ouvindo uma quase transa de três anos atrás falar. Essa mulher deve ser muito carente... Melhor eu tentar prestar atenção no que ela fala.

- Dois meses depois de ter acontecido tudo aquilo eu terminei com meu marido...
- Sério?

Porra, então é isso! Ela era casada... Foi por isso que ela falava que não podia, que aquilo não era certo, por isso que o Cabeça e a Lígia não gostavam de falar do assunto e inventaram mil histórias, por isso que ela sumiu. Será que ela me falou que era casada? Às vezes eu acho que deveria prestar mais atenção no que as pessoas falam. Talvez o Cabeça me explicou a história e eu fingi que entendi. Cacete... Só três anos depois eu fui entender um caso de cinco horas. E agora ela está aqui, na minha frente, falando... Parou de falar... Por que tá me olhando assim? Deve estar esperando que eu fale, então eu falo:

- Sabe, foi bom te ver depois de tanto tempo, esclareceu muita coisa... Mas agora eu preciso ir que meus amigos estão me esperando.

Beijo no rosto, tchau... Ela ficou com uma cara de quem não entendeu nada... Deveria ter prestado mais atenção no que eu falei, não é?

Vejo Cínthia na mesa em que eu estava. Cínthia é uma amiga de longa data, ao seu lado uma morena de cair o queixo, corpo de mulher e jeitinho de menina. Cumprimento as duas, e Cínthia faz a formalidade:

- Deixa eu apresentar: essa daqui é a Amanda, já devo ter falado dela pra você.

Falou?!
Sabe, eu realmente preciso prestar mais atenção no que as pessoas falam.

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